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19 junho 2013

Brota uma esperança...

Uma das coisas que mais me incomoda quando falo que gosto/escrevo de moda é como torcem o nariz por considerar a editoria como ‘algo fútil para pessoas alienadas’. Entre as coisas que sempre defendi está a informação de moda de qualidade para todo mundo a fim de desmitificar o caráter frívolo que o assunto desperta na população de maneira geral. Hoje não venho aqui discutir sobre a importância ou não da moda para a vida das pessoas, mas sim mostrar que é possível gostar de moda, beleza e se cuidar e mesmo assim não ser um alienado que, enquanto o país manifesta por uma possível melhoria, só se preocupa em postar o look do dia com bolsas mais caras que casas de vários brasileiros.



Vivemos um momento histórico no Brasil. No começo, os brasileiros saíram às ruas para reivindicar o aumento da passagem de ônibus e, agora, graças principalmente à violência policial nos protestos de São Paulo, o movimento tomou outras proporções e estamos lutando por tudo o que há de errado no país.

Como jornalista, possuo uma ponta revolucionária dentro de mim que apoia as passeatas, manifestações e reivindicações nos quatro cantos do Brasil. Mas como jornalista também aprendi que nem tudo é o que parece ser e muito menos que devemos aceitar as coisas sem questionamento.

O Brasil começou errado. São mais de 500 anos de história construída à base da ilegalidade, do jeitinho, do favorecimento das elites, da corrupção etc. etc. etc. Quando, na terceira ou quarta série, você estava aprendendo sobre colônia de exploração e colônia de povoamento, sobre a história do Brasil, vinda de Dom João VI para cá, independência... e ignorava a professora, crente que a matéria era ‘chata, inútil e não ia te ajudar com nada’, você já estava compactuando com a nossa atual situação. Afinal, a história se repete... Quando você fura fila, não devolve troco errado, arruma um atestado falso para faltar no trabalho e/ou educação física, você está compactuando. São proporções diferentes, mas são os dois lados da mesma moeda. É fácil ter um discurso de ‘politicamente correto’, enquanto pratica atos incorretos como se fossem a coisa mais natural do mundo, achando que os seus erros são justificáveis ou perdoáveis. 

A culpa não é só da Dilma, do Lula, do Collor, do Getúlio Vargas ou da Rede Globo. A culpa é de todos nós. Não adianta tirar o PT do poder, enquanto as alternativas são iguais ou piores. Enquanto o brasileiro continuar votando errado e elegendo gente que está apenas interessada em poder, dinheiro, troca de favores e influência.

Não temos que lutar pela diminuição da maioridade penal. Temos que lutar pela educação de qualidade. Enfiar adolescentes na cadeia, não vai resolver o problema, muito pelo contrário. Não temos que defender a Polícia Militar, dando poder ilimitado aos policiais para que ‘matem bandidos’. É esse poder sem limites que se mostra nos ataques de manifestantes e jornalistas durante as passeatas.

Independentemente das motivações diversas e do que pode ou não estar por trás da organização de todos esses atos, fico feliz e orgulhosa do povo estar “acordando”. De ver gente saindo do sofá e indo pras ruas .

Toda manifestação é válida. Devemos nos unir, ir à rua e levantar a bandeira contra a impunidade (PEC 37), contra a corrupção, os gastos exorbitantes com políticos e Copa do Mundo.

Temos que lutar por um país livre, onde homossexuais possuam os mesmos direitos que todos nós. Onde negros, índios, mestiços e todas as minorias tenham as mesmas oportunidades. Temos principalmente que levantar a bandeira a favor da saúde, da educação, das pessoas e de uma vida digna. Mas temos que promover mudanças em todas as esferas, inclusive em nós mesmos. É preciso ter clareza e humildade para avaliar o que pode ser melhorado em nossas consciências e atitudes diárias, para que tudo realmente melhore para todos.

Fica o desejo de que essas manifestações e o clima que tomou conta do país e estão enchendo todos de esperança realmente sejam um novo começo. De uma nova mentalidade, mais consciente, ativa e exigente. De um novo país onde todos vivam melhor para lutar por seus objetivos pessoais.

E você, pelo que está lutando?